Reflexão em roda – Ou – Sorte que choveu

Pesquisando na internet sobre bikes e associações no Canadá cheguei ao London Cycle Link, um espaço para você ir acompanhado da sua “magrela” e dar aquela regulagem e pequenos consertos. Num esquema de “faça você mesmo”, o ciclista é quem suja a mão de graxa, tudo orientado por uma equipe profissional. No site da organização tem um espaço dedicado a se candidatar como voluntário. Não perdi tempo, corri e fiz a minha inscrição e, por sorte, estava próximo ao evento o “Gathering on Green II”.

Após o preenchimento recebi um cordial e-mail do diretor da organização, Daniel Hall, me agradecendo e confirmando que estava selecionado para auxilia. Em poucas trocas de e-mails, ele explicou o que deveria fazer: seria um dos responsáveis para orientar os ciclistas de como estacionar as bikes durante o evento.

No dia do evento, sai às 15h30 do serviço, peguei a bike, joguei no GPS a localização e para minha tristeza: apenas 8 minutos pedalando (que tédio – rsrsr). Meu cronograma de trabalho era para auxiliar das 16h às 18h30. 

Durante o percurso até o local, o tempo foi fechando e começando a dar um big olá para a chuva.

Cheguei, me apresentei e já comecei o trabalho!

Como a ajuda da chuva que estava vindo, ninguém chegava, só iam embora, espantados pelo mau tempo.

Entregando a bike de uma simpática canadense (nos seus setenta e tantos anos) olhamos para o céu e ela chegou…

Bum!

Não era o começo de Thunderstruck, era chuva mesmo. Olha, e das fortes.

A base da equipe London Cycle Link era uma tenda montável que no máximo daria para umas 6 pessoas. Lotação máxima ao quadrado naquele momento! Adultos em pé segurando a tenda para não voar, crianças debaixo da mesa e os mais velhos sentados nas cadeiras dos voluntários. Tenda cheia de pessoas e de culturas. Canadenses, colombianos, indianos, mexicanos, brasileiro e alemão.

Foto tirada de dentro da tenda

Para passar o tempo e não se preocupar por estar todo molhado o primeiro tema puxado por um canadense com seus 60 e poucos anos englobava o evento e a iniciativa da prefeitura para transformar London em uma cidade mais verde e amigável para as bikes. Nesta conversa, uma senhora canadense, recém-chegada de Copenhagen, que estava sentadinha em um dos cantos da tenda, começou a falar como era lá. Num resumo da ópera:  2 bikes por pessoa, ruas sem carros, altos impostos para manter mais de um carro e vários incentivos e, principalmente, mobilidade urbana baseada nos ciclistas.

E a conversa andou, melhor né, pedalou, por belos campos de iniciativas, ruas sinalizadas de respeito, trilhas de conscientização etc. Fiquei maravilhado como uma cidade poderia ser diferente e focada no desenvolvimento saudável entre homem e meio ambiente.

Quando eu e a minha família chegamos aqui, na virada do outono para o inverno, começo de novembro, as ideias de pedalar ficaram hibernadas por alguns meses. No final de janeiro encarei algumas pedaladas. Olha é fácil se adaptar a pedalar em temperaturas negativas, uma experiência que todo ciclista deveria passar.

Pedal com – 5 graus

E a coisa foi crescendo e no Strava, entre janeiro e agosto, chegamos aos 1.200 km. E por esses quilômetros passaram toda uma estrutura e bondade do trânsito, vivendo todos ( na maioria do tempo) em harmonia. Carros, bicicletas e pedestres todos sabendo da suas responsabilidades e deveres, colocando em prática o exercício da empatia a cada cruzamento.

Bom, voltando a Copenhagen, um canadense mais fervoroso solta isso:

Poxa! O Canadá tem que melhorar muito para chegar ao nível de Copenhagen!”

Essa foi a frase que desencadeou o apogeu da conversa e da interação geral. Cada um que estava debaixo da tenda citou suas experiências de pedal: Montreal, Vancouver, Toronto, Winnipeg e outras cidades. A conversa passou por Paris, Amsterdã e outras referências em infraestrutura e mobilidade urbana da Europa.

Hum.

Sabe aquele olhar de “rabo de zóio” típico do sul-americano que quer ficar invisível e mudo? Acho que vai sobrar pra mim – pensei. Fiquei com medo de ser questionado e falar que no Brasil carro é item básico que, na maioria dos casos, é adquirido aos 18 anos. Que ser ciclista é ser taxado de bicho grilo, louco e por aí vai.

Ciclovia inundada pela chuva

Fiquei com medo de falar que na minha cidade não existe nada planejado para escoamento urbano, que tudo é em função das ruas cheias de carros (e que a conta de 1 carro por pessoa é real e todos saem juntos e solitários em seus estandartes de exuberância e “auto” afirmação). Fiquei com vergonha de falar que no meu último emprego fui avisado que não poderia deixar a bike no estacionamento, pois atrapalhava os diretores estacionarem seus carros. Fiquei com vergonha de falar que a população brasileira é egoísta e preza pelo lema: “Levar vantagem sempre ou melhor ele do que eu“.

No meio desse cruzamento sem GPS de pensamentos não sabia para onde ir. Apenas fechei os olhos e, de alma lavada, vi que não participava da conversa. Não por discriminação, mas por vergonha de tudo que vivi e vi no meu país sobre mobilidade urbana.

Naquele momento percebi que “eu mesmo me exclui” da conversa.

Fisicamente fiquei de fora da tenda e não me importei nada em estar todo molhado.
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Bike roubada? Veja como um site e um aplicativo podem te ajudar

Desde 2009, o Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas (www.bicicletasroubadas.com.br), ajuda na recuperação de bicicletas roubadas por todo o país. Além disso, a plataforma tem a funcionalidade de evitar que consumidores e lojistas comprem material roubado. Com a sua intensificação, o site gerou um mapeamento de áreas de risco no país, auxiliando em muito a prática do pedal com mais segurança e prevenindo até possíveis roubos.
 É muito fácil utilizar a plataforma, não é necessário ter fotos e nem o número de série do modelo roubado para o cadastro, mas guardar a nota fiscal ajuda a polícia a conferir números de série de bike roubadas. No site existe o campo estatísticas, com o ranking atualizado de roubos por cidade e por estado.

Ranking dos estados e cidades em número de roubos de 29/02/2016

O site auxilia e muito, mas pequenas ações podem começar por você e elas, com certeza, ajudarão a inibir a ação dos ladrões. Veja abaixo:

  • Quando comprar sua bike, peça para o lojista colocar o número do quadro na nota fiscal. Mesmo se sua bike já tiver sido comprada, veja se é possível tirar uma segunda via com essa informação.
  • Tenha a nota fiscal e o número de série do seu quadro guardado em casa. Eles são essenciais para real identificação e uma possível recuperação da bicicleta.
  • Jamais deixe sua bicicleta presa com cadeado e corrente, mesmo se for na garagem do seu prédio ou casa.
  • Evite andar sozinho em lugares desertos. Evite lugares estreitos ou que tenham muitas árvores, pois muitos assaltantes ficam escondidos e te derrubam quando passa.
  • Sempre tenha um plano de fuga em mente. Saiba quais as ruas que você pode cruzar para despistar o assaltante.
  • Saiba onde estão as cabines de polícia. Em uma perseguição você pode mudar sua rota para ir em direção a uma.
  • Quando parar em semáforos, fique dando voltas em frente aos carros e não parado.
  • Nunca ande contra o trânsito. Se você precisar fugir de alguém, você poderá estender os braços para os motoristas e pedir passagem. Eles podem reclamar, mas você vai conseguir passar.
  • Quando for parar em algum lugar e não trancar, se sua bicicleta tiver marchas, coloque na mais leve possível (mas sem efetivamente pedalar para efetuar a troca). Com isso, se algum espertinho resolver pegar a bike, sair correndo e começar a pedalar, a marcha pode simplesmente travar ou então cair na marcha leve e o ladrão vai pedalar muito sem quase sair do lugar.
  • Não deixe sua bike solta dentro de casa em local visível. Existem diversos relatos de furtos por ladrões que pularam o muro ou se aproveitaram de alguém que deixou o portão de casa aberto por poucos instantes.

Conheça também o aplicativo “Bike Registrada”

Outra vantagem digital para a segurança na pedalada é o aplicativo “Bike Registrada” (www.bikeregistrada.com.br), lançado em 2014 com serviços gratuitos e pagos, o aplicativo pode ser cadastrado por e-mail ou via conta do Facebook. Neste cadastro você consegue verificar bicicletas registradas sempre que alguém tentar lhe vender uma bike. Com esta ação o risco de adquirir bikes roubadas é muito baixo. O Bike Registrada é um “RG” da bike que permite a sua identificação e do proprietário de forma rápida e simples, além de informar se é roubada ou não. O site também permite contato direto com o dono da bike roubada, criando possibilidades reais de recuperação do bem.

Imagem indica onde encontrar o Número de Registro da sua bike. Ele é único e serve como base na recuperação em caso de roubo.

Gostou das dicas? Conhece mais algum site ou aplicativo útil? Conte para nós, a segurança no pedal nunca pode parar! Sabia que você também pode fazer um Seguro Bike e ficar mais tranquilo ainda? Faça aqui uma simulação sem compromisso.


Originally published at blog.seguralta.com.br.